Quase todos os fins de tarde, eu ia até a lanchonete da esquina para tomar meu café rotineiro. Não era um local muito grande, as mesas eram enfileiradas de forma vertical. Não sei o seu grau de higiene, mas o café era bom.
Especialmente naquela segunda-feira o movimento estava maior que de costume. Comecei a observar as pessoas que estavam lá e as que adentravam.
Sentados ao meu lado esquerdo, tinha uma mãe e três filhos barulhentos, na frente desta família tinha 2 rapazes e seu assunto predominante que era o futebol de ontem; Ao meu lado direito haviam duas senhoras avaliando a vida alheia.
Fiquei naquela observação casual por alguns minutos, até que três amigas,que não passavam dos catorze anos, sentaram na minha frente e pediram sanduiches e refrigerante; Suas conversas eram repletas de humor negro, palavrões, nomes de garotos, música e roupas. Ao observar aquela cena, rapidamente uma nostalgia de lembranças tomou conta de mim, fleches da época em que tinha treze surgiram na minha cabeça e não pude deixar de comparar aquela menina desleixada de treze anos que eu era com a recém-adulta que eu estava me tornando.
Quanto mais eu relembrava daquela menina despreocupada com tudo, mais me sentia uma atual resmungona, com contas para pagar e solitária. Naquele instante,uma breve conclusão pairou na minha mente:"para virar uma velha ranzinza, só me falta os gatos!"
Meus olhos se encheram de lágrimas ao me deparar com essa percepção e naquele momento levantei-me, paguei o café e andei sem destino por algum tempo e aos poucos minhas ideias estavam sendo recolocadas no lugar.
Ao chegar em casa, analisei a nostalgia da lanchonete com mais cautela:"Estou trabalhando muito, estou cansada e com sono, tô estressada! As vezes choro sem motivo e as vezes brigo e mando os demais para o inferno... estou de TPM".
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