Estou com receio em relação a este texto, estou enferrujada, não escrevo a um tempo, parece que não sei mais escrever, nem sei como começar, não tenho motivo aparente para esse recesso involuntário, mas ok, vamos tentar, já que aquela insônia inspiradora resolveu me visitar.
Bem, hoje me aproximei um pouco mais da tecnologia e ao invés de preparar o café no bom e velho fogão, esquentei uma água no microondas e... Deu mais trabalho, enfim, o que quero dizer é que, eu ando pensando sobre a vida, eu ando novamente com aquelas crises existências de TPM. De fato, meus pensamentos sobre a vida nesse período tem pitadas de epifania, e desta vez ocorreu-me como a ideia que as pessoas carregam de 'quero ser feliz' é uma ideia ultrapassada e está ficando velha. Não quero dizer que a ideia de felicidade em si seja velha, o que digo é que a busca da felicidade é uma atitude velha.
Penso nisso, pois consigo captar felicidade em momentos pequenos e em termos capitalistas, nem tenho uma vida repleta de riquezas, um exemplo: Eu não tenho cama. Explicarei, tenho dois irmãos, um mais velho e outro mais novo... Delicia de vida hein? (sem ironia) acontece que somos agitados, somos muito agitados e inspirados pelos malditos desenhos japoneses que eles dois são fãs, destruímos as camas aos poucos e num ato de castigo minha mãe negou-se a comprar camas novas, mas teve pena e comprou bons colchões... eis que dormimos todos os três em um quarto enorme, com tudo que precisamos, incluindo nossos colchões e sabe o que percebi? Cara, eu sou feliz e nem tenho cama e quer saber? Eu adoro! Os momentos com meus irmãos foram repletos de felicidade, de felicidade simplória, a felicidade mais pura que existe.
O que irrita na verdade não é o fato das pessoas buscarem a felicidade, e sim a buscarem como se ela não existisse, é muito bonito ver as pessoas construírem suas vidas pensando sempre em um amanhã melhor mas irrita saber que muitas vezes não percebemos, não valorizamos as coisas pequenas, puras e felizes.
Sabe, eu sou feliz quando tem feriado e fico em casa o dia inteiro de pijama assistindo Os Simpsons, eu me senti feliz quando estava desempregada e esquecia até de tomar banho, me senti feliz quando vi pela primeira vez o filme mais neurótico do Woody Allen, ou quando ouço aquelas músicas trash dos anos 80; A felicidade manifesta-se em mim quando dublo 'Ain't No Mountain High Enough' do Marvin Gaye, fico feliz quando como besteira... Da vez que fiz xixi no mato, eu estava muito feliz! Felicidade muitas vezes não precisa construir, vem involuntária, basta percebemos, antes que torne apenas uma ideia velha.
Não sou hippie, nem tive manifestações divinas, como disse, estou apenas tendo reflexões de TPM.