4 de maio de 2010

Insônia solitária

Já havia anoitecido, era uma sexta-feira, e eu estava ali...em uma casa vazia, a solidão constante, se tornara uma velha companheira. Cercada por móveis empoeirados, velhos discos, e uma taça de vinho.
Decidi ler algum livro. Meus livros já eram costumeiros, tanto que decorei suas frases e mesmo assim eu os lia sem cansar, porém, não dava mais tanta importância a velha história de romance impossível. Eu imaginara ali, o que de bom estariam fazendo meus amigos, meus poucos amigos. Suas conversas, suas bebedeiras... suas conquistas. Eu perdera a curtição daquela noite,seria apenas mais uma.
O solitário porre que eu tomara, não me trouxe sono. 'Dormir talvez seja um luxo para mim'. Pensava eu.
Desliguei a música lenta e resolvi deitar-me. O escuro de meu quarto não ajudara meu sono chegar, mas, minha forte solidão me trazia lágrimas, o porre deixava naquele momento o seu primeiro efeito.
Eu variava em pensamentos, desde qual seria minha banda preferida, ao mau gosto para roupas da vizinha. Pensava em tudo e todos até que meus pensamentos negativos começaram a surgir e me consumir, e temores bobos começaram a despertar. Temia que esse momento seria minha velhice chegando ou até mesmo a morte sorrateira estaria a me esperar, seria aqueles, meus últimos momentos? Triste fim de um ser humano morrer sozinho. Eu apenas desajava adormecer para não sentir dor.
Eu me revirava e revirava, o colchão já estava quase sem lençol e minha cama fazia um ruído irritante e com impaciência eu me perguntava: - Ahhh droga! esse sono não vai chegar?
Meu estômago e meu fígado começaram a travar uma batalha, talvez seria o excesso de café que tomara todas as manhãs e todos os fins de tardes, ou seria um segundo efeito do porre solitário, acho que os dois. Acabara ali meu anseio de não ter dor se supostamente a morte viesse me visitar.
A náusea me subia pela garganta até que... Sai correndo para o banheiro, meu almoço, meu porre e minhas energias foram embora naquela descarga. Tomei um comprimido e voltei a me deitar. Agora era um leve delírio que surgira, os pensamentos ficavam lentos, meus olhos davam leves e constantes piscadas para o nada naquele imenso escuro do meu quarto, meus pensamentos autodestrutivos foram se esvaindo e fui adormecendo.
O comprimido para enjoou venceu minha insônia, afinal.

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