28 de junho de 2011

Des.

Desapego, desolado
Desfilado, desfigurado
Desatento, desnorteado
Despenteado, desesperado
Descontente, desamparado
Destino, desilusão
Descolado, desprotegido
Desfavorecido, despido
Desmoronado, destruído
Ah, desisto!

Esse tal de sofrimento

Sinto que é necessário sofrer
Sinto que é necessário perder
Sinto que é necessário não ter
Sinto que é necessário não acontecer
Choro, insistência, desespero, luta!
Você não consegue, você surta!
Esse tal de sofrimento
é um dos mais puros sentimentos
Nos faz agarrar, sentir amor
Essa vida sofrida
Ah! é tão bonita
O aprendizado, o sabor do sofrimento
A inquietação do peito doendo
Os problemas todos da vida
A sensação de não haver saída
O estômago embrulhado
O coração apertado
A confusão dos pensamentos
A difusão dos sentimentos
Ah, que belo sentimento
Esse tal de sofrimento.

Efeito três

Chego tonta e paranoica, fecho a porta com leveza, é a noite mais fria do ano. Ligo a luz para ver, sinto fome, sinto um certo medo, sinto-me liberta... tudo na mesma sensação.
A casa está escura, existe uma sutil desordem, porém está calma, sem agito. Alertaram-me: "ela não deixa cheiro", mas a garganta ficou um pouco seca.
Dei boa noite, distribuí beijos de cumprimentos e nenhuma percepção...Ufa! O receio foi inevitável, talvez um pouco de culpa por sempre levar uma vida tão certinha e refletindo agora penso: QUE PORRA DE VIDA CERTINHA QUE TENHO! Necessito errar.
As luzes não apareceram, a brisa não foi verde, foi leve. Não vi ninguém estranho, não falei abobrinhas, não sai sem rumo. Meu cabelo ainda tem o cheiro do condicionador, meu paladar refrescou-se com a bala halls. Não foi nada extremo, nada de anormal.
Eu sei lá qual é minha opinião disso tudo, escrevi esse texto e minha curiosidade está morta. Sinto sono, vou dormir.

Velhice

Sinto-me inútil, largada ao vento
Sinto o relento
Meu andar parece lento
Da culpa fujo desprovida
De você, perco a vontade, fujo frígida.

Sentimento de indolência
Sensação de doença
Acabou-se a adolescência
Nível estável de insensibilidade
Vivêncio minha senilidade
Vivêncio minha sanidade

Sinto outra vez
Manifestações de decrepidez
Penso que estou esclerosada
Penso que estou ultrapassada
Mas não estou manjada

Enjoou-me da vida
Sinto-me caída
Sinto coisas repetidas
Acho que não tem mais graça
Viver nesta bela farsa.

21 de junho de 2011

Afasia

E tudo parece difícil mais uma vez
Numa cena repetida, tento algo novo.
Caio na mesma armadilha sempre
Amores que duram uma noite...
Me pedem para enxergar e esperar as coisas se montarem
Mas sempre parece tudo tão incompleto.
Ah sorte maldita, por que sempre foges de mim?
Eu só queria que desse certo.
Eu fico pensando nisso, como se fosse resolver
Nem sei se existe algo pra entender ou para ser resolvido
Eu só queria aliviar meu peito desse aperto.
E então, enquanto publico essa confusão
O solo da música entra, me arrepiando a pele
Esses prelúdios não me trazem aviso
Sem roteiro, vou seguindo essa rotina repetitiva
Sinto-me inferior quando a covardia me invade
Fujo pelos corredores gelados
Essas manias que tenho, esses hábitos incomuns...
Ai... essa vida!
Perco a fala
Perco os sentidos
Perco o rumo
Nossa, que confusão!
E repetidas vezes essa música toca
Você precisa me atingir de um jeito hipodérmico, subcutaneamente.
Quero o controle da situação, apenas
Quero aquela velha normalidade bagunçada
Meu coração está espremido
Meu cérebro está lesado
Âmago sempre incompreensível, porém frágil
Acho que gosto de você.

14 de junho de 2011

Preguiça necessária

Ando com uma vida agitada. Trabalho, estudos... Tudo! E tudo de só uma vez. Pela noite, descanso, é a hora que pauso minha cabeça pensante e fico em paz. Aaaaah a noite, que delicia é você chegar em casa, juntar os restos da geladeira, formar uma refeição, tirar o sapatos que lhe aguentaram e foram testemunha daquele dia infernalmente cheio. Ver tv, passando por todos os canais, até encontrar algo que lhe agrada e não conseguir parar de assistir, se bem que, dia cheio, cabeça cheia... qualquer coisa que passa na tv me chama de forma dispersa a atenção.
O sono resolve pairar sobre meus olhos e o cansaço e o peso daquele dia pairam sobre meu corpo, quero cama, ou não. No sofá, meu sono remete-se ao de um recém nascido, em minha cama a insônia parece abrigar-se em meus lençóis e aguardar-me. Mas tenho que ir pra cama. No sofá durmo porém, amanheço com as costas em formato de labirinto.
Coloco o relógio para despertar. O meu maior problema sempre amanhece comigo: PREGUIÇA!
O despertador berra em vão, olho as horas, penso preguiçosamente "Ah, tá cedo, vou dormir mais um pouco!" 7,8, 9, 10... Levanto-me quase obrigada. Faço nada do que deveria, do que tinha planejado. Não como,não sinto fome alguma, não arrumo nada, não sinto vontade nenhuma. Tomo banho e escovo os dentes e saio para mais um dia cheio. De manhã, que sensação matutina desgraçada! Por que a preguiça me consome dessa forma? Sedentarismo, falta de arroz e feijão, falta de saúde, falta de vontade. Preguiça é meu mal, me consome pela manhã e eu não resisto a ela.
De certa forma sinto que esse momento matutino preguiçoso me é válido, sim me é válido mesmo quando vou para a cama da insônia e faço promessas do tipo: "Amanhã sim, acordarei cedo e irei no banco!" ou simplesmente: "Amanhã, pelo menos irei arrumar minha cama." Sinto que essa preguiça me proporciona fugir da estranheza da correria da minha rotina, me faz escapar mentalmente da vida, pois ouço, falo e vejo coisas durante o dia que me aborrecem, que me cansam. De noite eu pauso, de manhã tento retornar ao play.
Simetria engraçada, minha mente parece funcionar à manivela, de manhã lerdo, de tarde indo e a noite no fast. É assim que funciono, fazer o que?