Eu, com uma pura falta de modéstia tomava o meio da pista a cada verso que meus ouvidos recordavam, as pessoas ao redor começavam a me observar: Ou dançava bem, ou estava extremamente ridícula. Não importa. O que importa é que na pista de dança liberto meu corpo, esqueço o que tem lá fora.
Entre um berro e outro do Ian, os problemas da vida me atormentavam. Pensava nos problemas, cantava com os gritos e dançava na confusão. Vejo o quanto isso é terrivelmente bonito, apesar de sentir que estou muitíssimo ferrada, sinto que consigo resolver.
Estou na pista sob luzes e fumaças e posso gritar o quanto quiser e ninguém me ouve, preencho os espaços vazios com passos involuntários,é isso que importa nessa hora. Sempre reclamo de ter problemas, mas nunca me gabo de resolve-los, dançar no meio
deles, não vai resolver nada, eu sei. Mas sinto um poder imenso quando faço isso, ter vontade de resolver é o que basta.
Tudo vem, tudo passa. Cintura alta, girias, programas de TV. Fica tudo ultrapassado e sentimos sede de renovação, daí cria-se o novo. Mas o amor vai estar sempre na moda, nunca fica ultrapassado, sempre se renova.