12 de março de 2012

Enquanto dançava Joy Division.

Apesar de tudo, o amor ainda está na moda. Lembrei desta frase que li em um livro enquanto me misturava com as luzes no meio da pista de dança, tocava uma música do Joy Division.
Eu, com uma pura falta de modéstia tomava o meio da pista a cada verso que meus ouvidos recordavam, as pessoas ao redor começavam a me observar: Ou dançava bem, ou estava extremamente ridícula. Não importa. O que importa é que na pista de dança liberto meu corpo, esqueço o que tem lá fora.
Entre um berro e outro do Ian, os problemas da vida me atormentavam. Pensava nos problemas, cantava com os gritos e dançava na confusão. Vejo o quanto isso é terrivelmente bonito, apesar de sentir que estou muitíssimo ferrada, sinto que consigo resolver.
Estou na pista sob luzes e fumaças e posso gritar o quanto quiser e ninguém me ouve, preencho os espaços vazios com passos involuntários,é isso que importa nessa hora. Sempre reclamo de ter problemas, mas nunca me gabo de resolve-los, dançar no meio
deles, não vai resolver nada, eu sei. Mas sinto um poder imenso quando faço isso, ter vontade de resolver é o que basta.
Tudo vem, tudo passa. Cintura alta, girias, programas de TV. Fica tudo ultrapassado e sentimos sede de renovação, daí cria-se o novo. Mas o amor vai estar sempre na moda, nunca fica ultrapassado, sempre se renova.
Pensava nisso tudo, enquanto perdia o controle dançando Joy Division.

6 de março de 2012

Reflexões de TPM

Mais uma vez seu 'boa noite' para mim, foi dizer que ando gastando de mais. Apenas lhe encaro, deixando meus olhos de frente com os seus e me calo. Minha cabeça borbulha com possíveis respostas. Me deito por fim, com duas certezas: Se dinheiro não trás felicidade, então sinto algo muito parecido quando eu o gasto; Entre a vontade e a satisfação, sempre optarei pela satisfação, mesmo que para senti-la terei de confrontar o que aparenta ser certo.
As vezes penso que se resumíssemos a vida, iriamos achar muita tristeza. Nascemos, vivemos uma fase de despreocupação e descobertas inocentes, avançamos e conhecemos a loucura da juventude, temos descobertas nada inocentes e depois conhecemos alguém que nos faz sentir completos como se resolvêssemos um quebra cabeças gigante, dai construímos algo, damos vida à pessoas e perde-se outras; Até chegar a sua hora de se perder e sua vida se tornará lembranças de outras pessoas. Boa parte dos nossos bons momentos, serão apenas boas lembranças em nossos futuros compromissados com a responsabilidade da vida adulta e tão nostálgicas serão estas lembranças que vão nos fazer perceber o quanto nossa vida era boa. Pensar que cada dia tudo se complica, tudo se torna mais e mais difícil e a cada dia parece uma volta na montanha russa é compreender que trabalhar para ter uma vida boa e digna é trabalhar para ser uma boa história a ser contada, que no fim tudo se perde mesmo, e se você é rico ou pobre, não importa, estamos todos predestinados para o mesmo fim.
A vida é uma coisa ingrata: Nos faz ter e depois perder; nos faz agarrar e depois querer soltar nos faz amar e depois odiar, nos faz gozar e depois chorar. Vivemos e depois morremos, o fim é certo.
O que eu quis dizer com toda essa baboseira é que, embora perceba as vezes o quanto meus gastos parecem inúteis, o quanto o exagero me cabe, o quanto loucuras me parecem normais e o quanto o errado me parece certo, nada substitui sentir satisfação. A satisfação não dá nem para ser relembrada em nostalgia, a satisfação acompanha qualquer sentimento, a satisfação é a graça de viver, é motivação de encarar a vida como vida, mesmo sabendo que se tornará história, mesmo sabendo que dia pós dia andamos de encontro a morte.