27 de julho de 2010

Maior idade

Ao despertar de um sono sem cafeína, ela decidiu naquela hora que mudaria sua rotina. Vinda da experiência do primeiro emprego, a menina sentia-se convicta da mudança sentimental que sofreu. Foram apenas duas semanas de trabalho, e o bastante para ela sentir-se amadurecida e aquela manhã seria a manhã que representaria sua volta à inutilidade, realidade que lhe causava frustração.
Mesmo sabendo que voltaria para velha vida adolescente-inútil, sentia algo novo, um sentimento que não tivera conhecimento antes, uma mistura de otimismo e amadurecimento o que lhe dava a esperança de que mesmo voltando para estaca zero, não seria mais difícil como antes, pois tudo mudou.
Ao abrir a janela, viu o dia ensolarado que estava sendo escondido pelas cortinas, que ao ser postas de lado fez com que a luz natural penetrasse em sua face. Observou a paisagem ampla que tinha, e enquanto recebia um "bom dia " seco, pegou o café (que não tomava à tempos), depois, ligou a Tv e começou a assistir sem muita pretensão.
Enquanto assistia aos programas matinais, os planejamentos saltavam em sua mente sem deixar que o medo ocasionado por dúvidas lhe atingisse, afinal defendia a ideia que experiências boas e más são o melhor aprendizado para aquele que trata com descaso os conselhos dos mais velhos.
Era perceptivo a sua transição de fase, como se estivesse atingido a maior idade só agora, meses depois de completa-la. E naquela manhã aparentemente comum e que tinha tudo para ser frustrante, mas que foi amanhecida de forma rara (cedo e bem humorada) deu uma jogada arrebatadora ao fracasso. Presenciava ali, o momento de sua vida que mais lhe trouxe orgulho, um orgulho que tinha por seus próprios méritos, que era ver seu caráter florescido e a certeza que está preparada para o mundo lá fora.

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